Rugby Alta de Lisboa: Reportagem a Afonso Nogueria

 Na Alta de Lisboa, um grupo de voluntários abraça um projeto de rugby,  onde o mais importante é a formação dos jovens do bairro.

Liderado por Afonso Nogueira, um dos mais prestigiados árbitros  portugueses, o Rugby da (M)Alta é uma oportunidade para devolver ao jogo muito do que o rugby trouxe para a formação do Homem.
Com a tónica no desenvolvimento do indivíduo, o Rugby da Alta pega  naquela Maltinha e leva-a pela mão, no caminho do crescimento…
Vejam como cresce o Rugby da Alta de Lisboa, pelos olhos e pela voz de Afonso Nogueira.

Mão de Mestre: Quem é o Afonso Nogueira no rugby e fora dele?

Afonso Nogueira: No rugby, neste momento coordeno o Rugby na Alta de Lisboa e sou árbitro. Fora do rugby, terminei o mestrado em gestão e estou envolvido na  gestão de projetos ligados a comunicação, marketing, formação e  desporto.
MdM: Onde nasceste e cresceste e como se deu o primeiro contacto com o rugby?
A.N.: Estou ligado ao rugby desde os 7 anos e posso dizer que já fiz  de tudo nesta modalidade, desde jogador a treinador, passando por  dirigente e árbitro. 
Tenho a filosofia de dar de volta ao rugby aquilo que o rugby me deu, amigos para a vida, uma família. 
Joguei até aos 17 anos no Belenenses, nessa altura sofri uma lesão na cervical que me impossibilitou de continuar, como já era treinador de  escalões de formação mantive-me envolvido com a modalidade.
MdM: O que fizeste no rugby na época que terminou, e o que vais fazer na próxima? A.N.: A época transata foi algo atípica pois estive condicionado em  termos de tempo, acompanhei o projeto “Rugby na Alta de Lisboa” um  pouco à distancia até Dezembro já que este é um trabalho que exige tempo e capacidade para acompanhar diariamente estes jovens. 
Desde Janeiro que muitas das minhas tardes voltaram a passar pela  planificação e operacionalização de atividades deste clube com a missão de criar oportunidades e valores através do rugby. 
Paralelamente, há 8 anos que sou árbitro através da FPR, atividade  que me ocupa várias horas por semana entre jogos, treinos físicos e  preparação e análise de jogos. 
Para qualquer árbitro que jogou rugby é um prazer estar envolvido com o jogo, é o melhor lugar do estádio! 
 
Entre jogos da Divisão de Honra, outros escalões nacionais e alguns  encontros internacionais estive envolvido em mais de 50 jogos, uma época muito longa. Na próxima época irei manter no rugby as funções que tenho desempenhado.
MdM: Como surge o Rugby na Alta e quando?
A.N.: Este será o nosso 5º ano de atividade. 
Surgimos em 2009 com o objetivo de unir as várias realidades da Alta de Lisboa, um território onde coabitam muitas culturas, é através do  rugby que queremos que todos façam parte da mesma equipa, altos, baixos, gordos, magros, ricos e pobres. 
A Associação de Residentes do Alto do Lumiar (ARAL) é a principal  promotora do projeto que conta também com a supervisão técnica da  Associação de Rugby do Sul, o apoio do programa K’Cidade da fundação Aga Khan, e também da Associação de Pais e EEs do Agrupamento de Escolas do Alto do Lumiar (APEAL), bem como do Programa Deporto Mexe Comigo da  Câmara de Municipal de Lisboa (CML).
MdM: Ao longo dos anos que leva de atividade o clube tem crescido  sempre com uma grande preocupação de acompanhamento dos seus atletas,  com destaque para a sua sala de estudo. Como é feito o recrutamento dos seus jogadores?
A.N.: O recrutamento é feito nas escolas e colégios da zona da Alta de Lisboa. 
Paralelamente também participamos e organizamos actividades junto da  comunidade para que outras crianças descubram o rugby, já que moram aqui miúdos que não frequentam estas escolas.
MdM: Quais as principais preocupações do RAL na formação dos seus atletas?
 

A.N.: É um facto que a nossa atividade não se baseia apenas no  desporto, temos um raio de ação muito grande, fazemos um acompanhamento individual e individualizado de todos os atletas. 

Temos um sistema que vai para além dos treinos e sala de estudo,  conhecemos os nossos atletas e fazemos com que eles evoluam também em  termos sociais e escolares. 
Preocupamo-nos com as suas competências sócio-afectivas, fazemos aquilo que hoje em dia se chama “mentoring”
As metas para os nossos atletas não passam tanto por “ir a uma selecção nacional”  mas muito mais por ter aproveitamento escolar e evoluir em termos  sociais, claro que se tivermos miúdos nas seleções tanto melhor! 
 
Fazemos com que descubram e construam as suas oportunidades.
MdM: Como é financiada a atividade desportiva do clube? Qual o papel da autarquia neste aspeto?
A.N.: Estamos a atravessar um período em que não temos garantido o financiamento total da atividade. 
A nossa sustentabilidade é desde o início a grande prioridade, não  queremos dar passos maiores que as pernas, sabemos que esta não é uma  tarefa fácil mas temos procurado criar uma base sólida de parceiros e  contactos. 
Depois de dois anos como projeto vencedor da “EDP Solidária” é a  Câmara Municipal de Lisboa que através do Programa de Apoio ao  Associativismo Desportivo suporta uma fatia do nosso plano de  atividade. 
Ainda assim temos em curso outras campanhas de angariação de fundos  como venda de rifas, festas temáticas e mais recentemente fomos  pioneiros em Portugal com o primeiro “crowdfunding” na área do rugby! 
Paralelamente temos outras duas grandes campanhas em marcha: “Missão – Chuteiras para a (m)Alta” e o Banco de Livros Escolares.
MdM: Qual o papel das empresas do bairro?
A.N.: Há empresas e lojas sediadas no território que nos têm apoiado, são pequenos contributos que fazem a diferença. 
A Dona Fernanda da Engomadoria Poupa Tempo faz-nos o favor de semana  após semana lavar os equipamentos e o Talho d’Alta tem-nos apoiado  regularmente. 
O Oeste Quiosque é outro dos apoios que nos tem garantido lanches e  afins, estamos a organizar o SUNSET DO RUGBY DE LISBOA para o início de  Setembro com eles, fiquem atentos! 
Ao longo da época outros cafés e mercearias fazem questão de ajudar o projecto. 
Aproveitamos e lançamos mais pedidos de apoio (altarugby@gmail.com).
MdM: O RAL tem algum acordo de desenvolvimento com escolas da sua região?A.N.: Trabalhamos diretamente com as escolas da zona, inicialmente  foi feita uma ponte através da Associação de Residentes e da Associação  de Pais, hoje em dia tornou-se recorrente serem as escolas a procurar os nossos treinadores para resolver problemas pontuais que ocorram com os  nossos atletas. 
Até já houve solicitações para animarmos alguns dos intervalos de uma escola, somos uma “marca” de sucesso junto da comunidade.
MdM: Onde se realizam os treinos e os jogos do clube?
A.N.: Treinamos e jogamos no Complexo Desportivo do Alto do Lumiar,  um complexo com dois campos sintéticos, gentilmente cedido pela Câmara  Municipal de Lisboa ao abrigo do Programa “Desporto Mexe Comigo”. 
É neste local que temos a nossa Sala de Apoio ao Estudo! Depois da proposta de construção de um Complexo Municipal de Rugby na Alta de  Lisboa ter vencido o Orçamento Participativo de 2010 da CML fizemos um  esforço para reforçarmos a atividade. 
Desde então que temos assistido a sucessivos avanços e recuos por parte da CML. 
A ARAL (Associação de Residentes do Alto do Lumiar) interpelou a CML  na última Discussão Pública da Proposta de Alteração do PUAL (Plano de  Urbanização do Alto do Lumiar) relembrando que a proposta de “Criação de um Campo de Rugby Municipal na Cidade de Lisboa”  indicava inequivocamente a Alta de Lisboa como local de implementação  dos campos. Houve por parte da CML uma resposta favorável à nossa  participação, pelo que aguardamos com expectativa todos os  desenvolvimentos.
MdM: Em que competições participaram na época 2012-13?
A.N.: Sendo este um clube com vocação para a formação não gostamos de chamar competição, estivemos presentes em inúmeros convívios sub-8,  sub-10 e sub-12 e começámos a participar nos Sevens Regionais Sub-14  organizados pela ARS. 
É muito importante para estes jovens terem contactos com outros  clubes e realidades, notamos a evolução a cada saída, a cada encontro!
MdM: Quem foram os treinadores dos diversos escalões?
A.N.: Somos três elementos no “core staff”: a Sofia Teixeira, o Ednilson Ceita e eu. 
Para além dos treinadores contamos com várias mãos que fazem a  diferença quer nos treinos e jogos, quer na sala de estudo: Paula Lage,  Rute Ricardo, Vítor Vasconcelos, Bárbara Oliveira, Sónia Silva, Eric  Cardoso, Kátia Costa, Francisco Sepúlveda, António Vasconcelos, Avelino  Costa, João Silva entre outros. 
De destacar ainda o apoio de voluntários do Colégio S. João de Brito e do Colégio Planalto. 
Este é um projecto que tem crescido com apoio de muitas mãos voluntárias.
MdM: É pública a intenção de proceder a algumas alterações no  funcionamento do clube, nomeadamente no que respeita aos treinos e sala  de estudo.
A.N.: Para a época 2013-14 quais os principais objetivos desportivos e no acompanhamento fora de campo dos seus atletas? Queremos continuar a ser uma escola transmissora de valores pessoais e sociais, é essa a nossa missão e a nossa identidade. 
Em termos desportivos pretendemos reforçar a participação nos  convívios sub-12 e jornadas de sevens sub-14, promovendo experiências  enriquecedoras aos nossos atletas. 
Queremos também repetir a proeza da nossa “digressão” ao Torneio Internacional Youth Braga Cup! 
Apesar de várias raparigas fazerem parte da equipa, outro objectivo  interno é lançar os alicerces para a criação de uma equipa feminina,  pelo que lançamos o desafio a todas as voluntárias que queiram ajudar a  formar esta equipa…
MdM: Quem vão ser os treinadores do clube para a próxima época?
A.N.: A equipa técnica vai manter-se com “prata da casa”. 
Nos mais pequenos a Sofia Teixeira continuará à frente dos sub-8 e  sub-10 com a ajuda de um dos nossos atletas mais velhos, o Rúben  Coelho. 
Nos sub-12 e sub-14 eu e o Ednilson Ceita seremos os treinadores. 
O Ednilson é um exemplo vivo para os nossos jogadores, cresceu no território e sabe lidar com miúdos como ninguém. 
Tal como nos últimos anos estamos abertos à participação de  voluntários que queiram dar o seu contributo na formação integral destes atletas, precisamos de colaboradores quer para a sala de estudo, quer  para treinos e jogos. 
Todos os interessados podem contactar-nos através do e-mail altarugby@gmail.com
MdM: Quem quiser jogar no Rugby na Alta o que deve fazer?
A.N.: É muito simples… estamos as tardes de 3ª, 4ª e 5ª no Complexo Desportivo, é só aparecer! 
Todas as novidades podem ser consultadas no nosso blogue  e na nossa página do Facebook À disposição estão também os nossos números (218267585 e 960154631) e o nosso e-mail (altarugby@gmail.com ou aralumiar@gmail.com).
Para conhecer o conteúdo original aceda a: http://www.maodemestre.com/2013/08/rugby-portugal-entrevista-alta-de-lisboa-afonso-nogueira.html#more

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