Para reflexão….

Sugere-se que o leitor reflicta sobre o contraste entre os conteúdos da notícia do Diário Económico de 23.Fev.07 e do parágrafo escrito pelo Arquitecto Eduardo Leira – autor do Plano de Urbanização do Alto do Lumiar – aqui também transcrito (“O Primeiro Plano”, Agosto 2005).

Stanley Ho demite presidente da Alta de Lisboa.

O Magnata Macaense substituiu Carvalho Fernandes por Amílcar Martins porque quer um novo dinamismo à frente da imobiliária.

Nuno Miguel Silva

Stanley Ho, accionista maioritário da promotora imobiliária SGAL, demitiu Carvalho Fernandes, presidente da Comissão Executiva (CE) desta promotora imobiliária responsável pela construção e comercialização da Alta de Lisboa, e substituiu-o por Amílcar Martins, apurou o Diário Económico junto de fonte ligada ao processo. Stanley Ho foi buscar o responsável pelo projecto imobiliário de Macau (Nam Van) para ”voltar a dinamizar a SGAL e o projecto da Alta de Lisboa, que nos últimos anos têm perdido embalagem e projecção no mercado imobiliário nacional”, de acordo com  fonte do sector.

Além de Carvalho Fernandes, Stanley Ho impôs também a saída de mais um membro da CE, René Souto. Mantiveram-se neste órgão executivo da SGAL João Silveira Botelho, Ambrose So e Miguel Queiroz. Como saíram dois elementos e só foi nomeado um substituto, espera-se nova nomeação para ficar completa a CE da SGAL.

“A actividade e o conceito da Alta de Lisboa do ponto de vista comercial do imobiliário poderá não ser brilhante e isso deve provocar algum desequilíbrio financeiro face aos avultados investimentos que a SGAL fez e deverá fazer. Mas, mais importante do que isso é que os projectos da Alta de Lisboa não estão a sair como esperado, o que afecta o bom desempenho da empresa, a par dos ‘stocks’ elevados que devem ter para vender e do mau nível de qualidade de que os seus clientes se queixam”, sustém outra fonte do sector imobiliário contactada.

A SGAL foi fundada em 1984, para lançar o maior mega-projecto imobiliário da Europa, com uma área de intervenção de 300 hectares, dos quais 70 para áreas verdes. Previa um investimento de 1.100 milhões de euros – mais de um terço do que custo da Ota – para construir uma “cidade” de 65 mil habitantes.

Mas, já há vários anos que a SGAL não lança projectos. Dos 10 produtos referidos no seu ‘site’, cinco já estão vendidos a 100% e outros dois parcialmente. Face à rarefacção da oferta, a empresa optou por promoções, em detrimento do produto, para escoar o ‘stock’ junto de camadas sócio-económicas de menor exigência.

“É necessário lançar mais um ou dois Parque das Conchas [empreendimento da SGAL de topo de gama com grande êxito] para a empresa alimentar a imagem de qualidade que tem estado a perder”, conclui outra fonte do sector.Notícia de 23 de Fevereiro de 2007 in Diário Económico; sublinhado nosso.

EDUARDO LEIRA

“A sua denominação, uma feliz combinação de marketing e ambição, responde ao potencial que começa a ganhar forma; um fragmento não apenas grande mas também característico de Lisboa: Alta de Lisboa.”

Parte de um parágrafo da introdução “À primeira Vista” do livro “O Primeiro Plano”, Edição CML/DMGU–UPAL; SGAL, Setembro de 2005; sublinhado nosso.

Reflicta-se então …

Luís Lucena, Direcção da ARAL

3 thoughts on “Para reflexão….

  1. Será que esta crise é uma premonição do que se está a passar no imobiliário a nível mundial? Segundo várias fontes a bolha especulativa do mercado imobiliário está muito grande e ameaça rebentar. As consequências serão a acentuada desvalorização das casas que andamos a pagar aos bancos.
    Em relação à Alta de Lisboa penso que a crise que a SGAL vive é resultado de dois aspectos fundamentais: por um lado a má relação com os clientes e, por outro, o incumprimento dos compromissos assumidos pela CML. Nós, na qualidade de moradores na zona, estamos a ficar entalados por estas entidades que não foram capazes de em tempo útil colocar esta grande urbanização nos roteiros nobres da cidade de Lisboa. Se as obras que estão em curso ficarem muito mais tempo em “águas paradas” corremos o sério risco de vir a assistir à inevitável progressiva degradação do espaço urbano, processo que já está a dar sinais preocupantes. É com muita tristeza que vejo a forma como está a evoluir um bairro que ainda tem condições para ser um bom local para viver. Será que há algum plano B que possa salvar o nosso bairro? Por que será que a SGAL não vê que construir empreendimentos com casas vazias não é um bom negócio? Apostar num zona de qualidade sem acessos de qualidade não pode dar bons resultados. Longe vão os tempos da década de 1980 em que se enterravam prédios em locais inacessíveis só com o objectivo de ganhar dinheiro. Muito gente enriqueceu à custa deste chorudo negócio. Agora só aquilo que tem qualidade é que ainda se vai vendendo.

  2. Reflectindo então…
    Ainda há esperança. E a esperança somos todos nós, residentes e futuros residentes da Alta de Lisboa.
    O projecto da Alta de Lisboa foi lançado pelo então Presidente da Câmara de Lisboa, Engº Kruz Abecassis, nos anos 80, quando ainda se enterravam prédios em locais inacessíveis.
    O projecto do Engº Kruz Abecassis, ainda agora inovador, não era, e continua a não ser, um mero negócio entre a CML e a SGAL. Não nos esqueçamos de parte importante deste projecto: os seus moradores/compradores. E também nós devemos desempenhar o nosso papel, o de reivindicar e ajudar no sentido de tal como diria o Arq. Eduardo Leiria este projecto/fragmento de Lisboa não seja apenas grande mas também característico de Lisboa.
    Não será esta, também, uma das missões da jovem ARAL?

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